O que a greve dos caminhoneiros nos ensinou sobre home office

O que a greve dos caminhoneiros nos ensinou sobre home office

O Ministério da Fazenda informou que a paralisação dos caminhoneiros, que bloqueou rodovias de todo o país durante 11 dias do mês de maio, provocou um prejuízo estimado de R$ 15,9 bilhões à economia. Esse valor envolve desde a queda na produção industrial até a arrecadação tributária, sendo que grande parte se deve às perdas no agronegócio. E há quem diga que a estimativa foi conservadora.

Greves e demais entraves no transporte, como enchentes e trânsito caótico nas metrópoles, são constantes causas de prejuízos financeiros, como já abordamos aqui. Mas o episódio da reinvindicação pela redução no preço do diesel trouxe a possiblidade de conseguimos analisar o impacto de milhares de carros a menos circulando pelas cidades e muitos funcionários trabalhando de casa em regime de home office.

Isso permitiu olharmos para os desdobramentos no mercado corporativo – e refletir sobre como orientar a tomada de decisão futura. As empresas se adaptaram, os funcionários também. Ainda assim, os prejuízos para as empresas foram grandes. Agora é o momento de extrair todos os aprendizados dessas quase duas semanas em que a rotina de todas as pessoas precisou ser reinventada.

VDI agiliza a urgência para novas posições home office

Uma em cada quatro pessoas não conseguiu chegar ao trabalho durante a paralisação, de acordo com uma pesquisa da Ticket e Ticket Log. Os números mostram que 25,6% dos brasileiros não compareceram por quatro dias ou mais, e 36,4% não foram ao trabalho por um dia.

Esses dados representam exatamente o que aconteceu aqui na Elleven. A demanda por novas posições de VDI cresceu 25% durante a paralização. Do dia para noite, nossos clientes precisaram virtualizar o acesso ao ambiente de trabalho para funcionários que ainda não trabalhavam em home office.

Esse processo foi rápido, uma vez que nossos clientes que adotam a tecnologia de VDI já contam com servidores com recursos em stand by, prontos para novos usuários. Entregamos as novas máquinas virtuais rapidamente, com todas as configurações e softwares à disposição para serem acessadas de qualquer lugar, mediante login e senha.

Essa agilidade é um dos benefícios que muitas vezes passa despercebido na hora de contratar um parceiro único de tecnologia – se o processo fosse interno, provavelmente demoraria dias até liberar a contratação de mais infraestrutura e o licenciamento dos programas e softwares.

Empresas driblaram a greve com home office

Os benefícios do home office são cada vez mais conhecidos: redução de custos para as empresas, aumento de produtividade e qualidade de vida dos funcionários, maior retenção e menor turn over, para citar alguns. Ainda assim, muitas empresas não praticam o modelo de trabalho remoto. Por isso, a greve dos caminhoneiros foi um bom momento para muitas experimentarem a dinâmica fora do escritório – e perceberem que as demandas de trabalho foram atendidas.

O que a greve dos caminhoneiros nos ensinou sobre home office

O jornal Folha de S.Paulo fez uma pesquisa informal com 25 empresas de todo o Brasil, para entender qual foi a política de emergência adotada durante a paralisação. A maioria preferiu deixar que seus funcionários trabalhassem de casa. Outras reembolsaram aqueles que conseguiram pegar táxi (abastecidos com GNV), deram folga ou flexibilizaram a jornada. Porém, do total das empresas ouvidas, 24 possibilitaram o trabalho remoto.

Essa é uma demanda cada vez maior dos funcionários – e as empresas já começam a se adaptar a essa realidade. De acordo com um levantamento feito pelo Hays, grupo internacional de recrutamento, 51% das empresas brasileiras que pretendem contratar este ano consideram incluir o home office entre os benefícios.

Os números deixam claro que a tendência não é passageira. Uma pesquisa da Robert Half, outra empresa de recrutamento, mostrou que 96% dos profissionais brasileiros são favoráveis ao home office. E a pesquisa “O Futuro do Trabalho – Transformação Digital” expôs que mais de 40% dos entrevistados já adotam a modalidade em suas empresas.

Tecnologia iguala trabalho no escritório e a distância

Muitas empresas aderiram ao home office no “susto”, sem se estruturar para que os funcionários trabalhassem de casa com todos os recursos disponíveis no escritório. Agora que a situação normalizou, vale observar que o modelo home office funciona ainda melhor com um planejamento e com a adoção das tecnologias existentes.

Do computador de casa ou até mesmo do celular, os funcionários podem acessar a VDI – espécie de computador virtual na nuvem – com todos os dados e programas que estariam no computador da empresa. Essa tecnologia é segura, criptografada e acessada mediante login e senha. Além disso, várias soluções podem ser acrescentadas, como controle de ponto, compartilhamento de tela, chat corporativo, relatórios e suporte 24 horas por dia com uma equipe de TI especializada.

Empresas que já adotam a modalidade compartilham bons resultados. A Gol Linhas Aéreas Inteligentes e o programa de milhagem Smiles são pioneiros em home office. Hoje em dia, cerca de mil atendentes de call center trabalham de casa, garantindo uma economia média de 500 reais por colaborador/mês, ou seja, uma redução de quase meio milhão de reais por mês. O ganho em produtividade foi de 26% e o custo de infraestrutura de trabalho diminuiu 25%.

A boa notícia é que esses números não são uma exclusividade da companhia aérea, como mostra esse post aqui. E a tecnologia é a principal ferramenta para orientar essa mudança de paradigma.

A poluição da cidade de São Paulo diminuiu 50%

De acordo com os dados diários da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) nas estações Ibirapuera e Cerqueira Cesar, a repentina queda na circulação de veículos reduziu pela metade a poluição atmosférica na capital paulistana.

O que a greve dos caminhoneiros nos ensinou sobre home office

Essa medição oferece uma possibilidade única de estudar os efeitos práticos da redução da emissão de monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio. “É uma observação empírica com base em modificações ecológicas não planejadas. Ninguém poderia imaginar que teríamos tamanha redução do tráfego”, disse o patologista Paulo Saldiva, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, para uma matéria do Estadão.

Essa constatação sem precedentes abre espaço para discutirmos a importância do uso mais racional dos veículos – o uso das ciclovias em São Paulo registrou aumentos consideráveis durante a greve, chegando a 17,5% na Faria Lima – e também da maior adoção do home office. Ao trabalhar de casa, funcionários evitam os deslocamentos diários até as empresas, que muitas vezes chegam a três horas entre o trajeto de ida e volta.

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